Estava muito claro. Tudo branco.
- Onde eu estou? - foi a primeira pergunta que Madie fez.
- Oh, criança. Estava aguardando você - disse uma mulher, toda vestida de branco. Seu cabelo era negro, a única coisa mais escura naquele lugar. Tudo estava muito claro, que até doía os olhos.
- Não me chame de criança. Mas, poderia, por favor, me dizer onde estou, neste momento?
A mulher gargalhou. Uma risada seca, sem graça nenhuma.
- Criança, não percebes? Estamos numa linha do tempo, tolinha. Só que este lugar, onde estás neste momento, é uma... Passagem para futuro e presente.
- Pergunto o que faço aqui.
- Estás aqui para fazer uma coisa à mim, Madie.
Pela primeira vez, a mulher a chamou pelo nome. "Como ela sabe o meu, justo o meu nome?"
- Que tipo de coisa?
- Ora, seu trabalho é concertar esta linha do tempo.
- Como?
- Terá que viajar no tempo, concertando alguns erros que foram cometidos no passado por você. Por causa deles, Madie, no futuro, de onde eu vim, algumas pessoas sofreram muito mais do que possa imaginar.
- Quem?
- Ora essa, espera mesmo que eu fale? Só concerte a linha do tempo.
- O que vou ganhar com isso? - Madie pergunta, com uma cara meio desconfiada. Poderia ela confiar na mulher?
- Vai voltar a viver. Olha, Madie, você é essa - disse ela, mexendo uma das mãos, em quanto a linha do tempo se modificava e mostrava a frente da casa da garota. Na porta, ela caída.
- Não! O que você fez comigo?
- Calma. O tempo está congelado para que você possa colocar tudo em ordem. Mas vá rápido, saiba que não sou de esperar.
- Se eu reparar os erros nessa tal de "linha do tempo" você descongela o presente?
- Claro, afinal, trato é trato.
- Certo, então.
- Vamos começar com o passado.
A mulher mexeu as mãos, formando uma espécie de círculo no ar. Onde ela fez o movimento, apareceu uma rua. Parecia um pouco antiga. As pessoas que ali estavam, vestiam ternos finos e vestidos bufantes.
- Eca! Vou ter que ir mesmo aí?
- Quieta! Sua vida está em jogo, criança. Agora vá logo.
- Ok, ok... Mas por onde começo?
- Você vai adivinhar o que deverá concertar. Boa sorte.
E então a mulher fechou os olhos e pronunciou algo que parecia latim.
- Espera! Ainda não sei seu nome!
E então ela abriu os olhos lentamente, enquanto ia embora.
- Stella.
Madie parou na frente de uma casa meio antiga, cujo número era 236. De uma rua chamada Prefeito Tratonni.
Ela sorriu. As aulas de piano ficavam exatamente naquela rua.
Caminhou um pouco à frente. Quantos anos tinha recuado? 20? 25? 30?
Não importava. A escola tinha sido construída 15 anos depois. Provavelmente ainda não tinha nada no espaço onde ela estudava. Ou estivesse em construção. Quem sabe? A escola era bem grande, e a construção deveria ter demorado muito.
Continuou andando até chegar em frente a escola. A futura escola.
Onde ela estudava, nessa época, era apenas um terreno abandonado.
Foi aí que ela descobriu, que teria alguns problemas pela frente.
Qualquer passo errado que Madie desse alteraria o futuro e traria grandes problemas.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
terça-feira, 30 de julho de 2013
Para onde eu fui?
Vou lhes contar uma história. Pode ser bonita, ou não. Depende do que você achar.
Este conto se passa numa rua chamada Tratonni. Nome esquisito não? Pois é.
Uma rua apertada.
Em Tratonni, Madie tinha aulas de piano. A garota de 14 anos já estava se dando bem nas aulas que seus pais propuseram que fizesse, dois anos antes.
- Excelente, Madie! - disse Emilly, sua professora. - Se tocar tão bem quanto hoje no concurso, creio que ganhará o prêmio de primeiro lugar. Ah! Já são 11:00. É melhor você ir agora, seus pais devem estar esperando você em casa. Estude bastante, a audição é semana que vem, hein?
- Sim, é claro! Vou me esforçar bastante, preciso ganhar esse prêmio.
- Seja confiante, claro. Mas não orgulhosa.
"Não sei mais quantas vezes vou ter que ouvir essa frase" - pensou Madie.
- Vou ter que ir, professora, até mais.
- Até.
E Madie foi para casa. Tomou um ônibus (nem todas as pessoa pegam táxi direto, sabia?) e chegou em sua casa, ao meio - dia.
Madie era uma garota adorável. Gentil e delicada... Todos a adoravam. Só eu, que conto a história, sei o que há de acontecer. Uma tragédia.
- Corra para o banho! - disse sua mãe. - Você chegou toda suja de lama! Onde fez isso? - Apontou Lúcia para uma pata de cachorro, bem grande, na camiseta branca e (antes limpa) suja de Madie.
- Não acredito! Spike pulou em mim quando cheguei.
- Sabia que sabão custa dinheiro, seu bobão? - disse a mulher, que acariciava o cachorro e sorria. - Mas vá tomar banho. O almoço ficará pronto daqui a pouco.
Madie subiu, quase correndo, para o andar de cima. Tomou a ducha e atualizou os deveres de casa.
Sua escola - deveria ter dito - era tudo junto. Todas as matérias do seu ano mais Piano. De noite fazia aulas de dança.
A comida estava gostosa. Filé de frango, fritas, salada e arroz. Quem recusaria um almoço feito exclusivamente por Dona Lúcia?
Logo a tarde se transformou em noite.
"Mais aulas" - pensou Madie.
As sete em ponto saiu de casa, mochila na mão e coragem na cabeça. Tomou mais um ônibus, o segundo do dia, e foi em rumo à escola que estudava.
Fez as aulas de dança, e se saiu horrível (em alguma coisa ela tem que ser ruim, certo?).
Em geral ela não era tão ruim em dança, mas aquele dia tinha sido péssimo. Algo estava pregado em sua cabeça, ela não sabia o que. Só sabia que era uma sensação esquisita, um frio na barriga. Uma coisa que ia e vinha, que dava medo.
Madie já não estava com vontade de voltar. Sentia que algo iria acontecer, mas era uma mensagem discreta. Quase não dava para ser notada.
Saiu da escola devagar. Aprendeu a confiar em sinais, e aquele era um. Com certeza.
Pegou mais rápido possível o ônibus que a levava para casa. Já eram 21:00 e a sensação aumentava, de pouco em pouco.
De repente o motorista parou. Um passageiro, um homem, perguntou à ele o motivo da parada repentina.
- O trânsito está muito grande, vamos demorar para chegar.
"Só o que me faltava!" - pensava ela.
Finalmente o trânsito deu uma aliviada e o ônibus pôde prosseguir. Ela chegou na porta de casa faltando um minuto para as dez da noite.
Foi aí que a vigésima segunda badalada soou. 22:00.
Tudo ficou branco, nada podia ser enxergado. Pelo menos para Madie.
Na rua deserta, uma garota caída. Só se ouviam os latidos frenéticos de Spike.
Este conto se passa numa rua chamada Tratonni. Nome esquisito não? Pois é.
Uma rua apertada.
Em Tratonni, Madie tinha aulas de piano. A garota de 14 anos já estava se dando bem nas aulas que seus pais propuseram que fizesse, dois anos antes.
- Excelente, Madie! - disse Emilly, sua professora. - Se tocar tão bem quanto hoje no concurso, creio que ganhará o prêmio de primeiro lugar. Ah! Já são 11:00. É melhor você ir agora, seus pais devem estar esperando você em casa. Estude bastante, a audição é semana que vem, hein?
- Sim, é claro! Vou me esforçar bastante, preciso ganhar esse prêmio.
- Seja confiante, claro. Mas não orgulhosa.
"Não sei mais quantas vezes vou ter que ouvir essa frase" - pensou Madie.
- Vou ter que ir, professora, até mais.
- Até.
E Madie foi para casa. Tomou um ônibus (nem todas as pessoa pegam táxi direto, sabia?) e chegou em sua casa, ao meio - dia.
Madie era uma garota adorável. Gentil e delicada... Todos a adoravam. Só eu, que conto a história, sei o que há de acontecer. Uma tragédia.
- Corra para o banho! - disse sua mãe. - Você chegou toda suja de lama! Onde fez isso? - Apontou Lúcia para uma pata de cachorro, bem grande, na camiseta branca e (antes limpa) suja de Madie.
- Não acredito! Spike pulou em mim quando cheguei.
- Sabia que sabão custa dinheiro, seu bobão? - disse a mulher, que acariciava o cachorro e sorria. - Mas vá tomar banho. O almoço ficará pronto daqui a pouco.
Madie subiu, quase correndo, para o andar de cima. Tomou a ducha e atualizou os deveres de casa.
Sua escola - deveria ter dito - era tudo junto. Todas as matérias do seu ano mais Piano. De noite fazia aulas de dança.
A comida estava gostosa. Filé de frango, fritas, salada e arroz. Quem recusaria um almoço feito exclusivamente por Dona Lúcia?
Logo a tarde se transformou em noite.
"Mais aulas" - pensou Madie.
As sete em ponto saiu de casa, mochila na mão e coragem na cabeça. Tomou mais um ônibus, o segundo do dia, e foi em rumo à escola que estudava.
Fez as aulas de dança, e se saiu horrível (em alguma coisa ela tem que ser ruim, certo?).
Em geral ela não era tão ruim em dança, mas aquele dia tinha sido péssimo. Algo estava pregado em sua cabeça, ela não sabia o que. Só sabia que era uma sensação esquisita, um frio na barriga. Uma coisa que ia e vinha, que dava medo.
Madie já não estava com vontade de voltar. Sentia que algo iria acontecer, mas era uma mensagem discreta. Quase não dava para ser notada.
Saiu da escola devagar. Aprendeu a confiar em sinais, e aquele era um. Com certeza.
Pegou mais rápido possível o ônibus que a levava para casa. Já eram 21:00 e a sensação aumentava, de pouco em pouco.
De repente o motorista parou. Um passageiro, um homem, perguntou à ele o motivo da parada repentina.
- O trânsito está muito grande, vamos demorar para chegar.
"Só o que me faltava!" - pensava ela.
Finalmente o trânsito deu uma aliviada e o ônibus pôde prosseguir. Ela chegou na porta de casa faltando um minuto para as dez da noite.
Foi aí que a vigésima segunda badalada soou. 22:00.
Tudo ficou branco, nada podia ser enxergado. Pelo menos para Madie.
Na rua deserta, uma garota caída. Só se ouviam os latidos frenéticos de Spike.
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