quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Para onde eu fui? #2

 Estava muito claro. Tudo branco.
 - Onde eu estou? - foi a primeira pergunta que Madie fez.
 - Oh, criança. Estava aguardando você - disse uma mulher, toda vestida de branco. Seu cabelo era negro, a única coisa mais escura naquele lugar. Tudo estava muito claro, que até doía os olhos.
 - Não me chame de criança. Mas, poderia, por favor, me dizer onde estou, neste momento?
 A mulher gargalhou. Uma risada seca, sem graça nenhuma.
 - Criança, não percebes? Estamos numa linha do tempo, tolinha. Só que este lugar, onde estás neste momento, é uma... Passagem para futuro e presente.
 - Pergunto o que faço aqui.
 - Estás aqui para fazer uma coisa à mim, Madie.
 Pela primeira vez, a mulher a chamou pelo nome. "Como ela sabe o meu, justo o meu nome?"
 - Que tipo de coisa?
 - Ora, seu trabalho é concertar esta linha do tempo.
 - Como?
 - Terá que viajar no tempo, concertando alguns erros que foram cometidos no passado por você. Por causa deles, Madie, no futuro, de onde eu vim, algumas pessoas sofreram muito mais do que possa imaginar.
 - Quem?
 - Ora essa, espera mesmo que eu fale? Só concerte a linha do tempo.
 - O que vou ganhar com isso? - Madie pergunta, com uma cara meio desconfiada. Poderia ela confiar na mulher?
 - Vai voltar a viver. Olha, Madie, você é essa - disse ela, mexendo uma das mãos, em quanto a linha do tempo se modificava e mostrava a frente da casa da garota. Na porta, ela caída.
 - Não! O que você fez comigo?
 - Calma. O tempo está congelado para que você possa colocar tudo em ordem. Mas vá rápido, saiba que não sou de esperar.
 - Se eu reparar os erros nessa tal de "linha do tempo" você descongela o presente?
 - Claro, afinal, trato é trato.
 - Certo, então.
 - Vamos começar com o passado.
 A mulher mexeu as mãos, formando uma espécie de círculo no ar. Onde ela fez o movimento, apareceu uma rua. Parecia um pouco antiga. As pessoas que ali estavam, vestiam ternos finos e vestidos bufantes.
 - Eca! Vou ter que ir mesmo aí?
 - Quieta! Sua vida está em jogo, criança. Agora vá logo.
 - Ok, ok... Mas por onde começo?
 - Você vai adivinhar o que deverá concertar. Boa sorte.
 E então a mulher fechou os olhos e pronunciou algo que parecia latim.
 - Espera! Ainda não sei seu nome!
 E então ela abriu os olhos lentamente, enquanto ia embora.
 - Stella.
 Madie parou na frente de uma casa meio antiga, cujo número era 236. De uma rua chamada Prefeito Tratonni.
 Ela sorriu. As aulas de piano ficavam exatamente naquela rua.
 Caminhou um pouco à frente. Quantos anos tinha recuado? 20? 25? 30?
 Não importava. A escola tinha sido construída 15 anos depois. Provavelmente ainda não tinha nada no espaço onde ela estudava. Ou estivesse em construção. Quem sabe? A escola era bem grande, e a construção deveria ter demorado muito.
 Continuou andando até chegar em frente a escola. A futura escola.
 Onde ela estudava, nessa época, era apenas um terreno abandonado.
 Foi aí que ela descobriu, que teria alguns problemas pela frente.
 Qualquer passo errado que Madie desse alteraria o futuro e traria grandes problemas.

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